MEMORIAL A ESSE CAPELLI

ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE O MÉDIUM ESSE CAPELLI

O médium nasceu em 16 de fevereiro de 1927, filho de missionários da Igreja Batista. Desde a mais tenra idade conviveu com o fenômeno mediúnico, que julgava coisa natural, posto que estava inserido no seu mundo, não compreendendo como os adultos não percebiam o que ele anotava como fatos reais. São inúmeros os episódios vividos com a interferência de seres espirituais para os quais o menino buscava explicação entre os familiares, recebendo, de princípio, a informação de que eram alucinações e, logo após, diante de evidências palpáveis, de que seria uma tentação de Satanás. A mãe, falecida quando o menino contava apenas um ano de vida, levou a criança à guarda de familiares e de estranhos, dando origem a uma infância tumultuada e cheia de atropelos. Ao narrar o que via e ouvia, os adultos, quase todos religiosos intolerantes, passavam a rotulá-lo de mentiroso. Solitário, no casarão em que vivia com uma tia, passou a conviver com uma galeria de quadros fotográficos que se formavam na parede, tão logo ia dormir em sua rede. Quadros de meio corpo onde figuras, depois identificadas, piscavam os olhos e sorriam como se fossem vivas. Dentre elas, uma de corpo inteiro, descia do quadro, andava no aposento e retornava à sua posição anterior, quando se desfazia aquela cena. A explicação dos adultos era sempre a de interferência do demônio.

Já na adolescência, atormentado pelo ruído de um rato roendo dentro da sua cabeça, após o fracasso da medicina, encontrou um homem, em condições inusitadas, o qual, sem conhecê-lo, o interpelou prometendo a libertação em um centro espírita. Aceitando o convite foi ao centro referido e lá, sem que recebesse qualquer tratamento especial, libertou-se da incômoda companhia. Ali recitou uma mensagem psicografada com informações que se confirmaram no futuro. Mesmo convivendo com o fenômeno mediúnico esforçou-se por minimizá-lo, atribuindo a sua causa ao modismo da psicologia e da parapsicologia. Enquanto isso, os fenômenos cresciam de intensidade, chegando aos limites do insuportável. Passou a frequentar centros espíritas, dos quais logo se afastava, pela evidência de crendices e usos que não se compatibilizavam com o seu entendimento e, também, pelo estardalhaço dos fatos quase maravilhosos de curas, clarividências e espalhafatos publicitários que não o satisfaziam. Os tormentos espirituais o levaram ao Centro Espírita Irmã Scheilla, em Goiânia, presidido por um homem humilde e tranquilo que, de logo, percebeu o que se passava, dando oportunidade ao médium, agora já na fase madura da vida, de participar, de forma anônima, das reuniões mediúnicas naquela casa.

A Casa de Scheilla, onde todos trabalham em silêncio, sem emulações de encarnados ou desencarnados, propiciou a produção de uma copiosa obra psicografada por Esse Capelli, de natureza variada, toda ela voltada para a renovação moral do homem.

O médium participou, como vidente lúcido que é, das reuniões de orientação e do trabalho psicográfico da Casa de Scheilla, sempre em silêncio e no anonimato, de acordo com as normas estabelecidas naquele grupo.

Hoje, aos 90 anos, devido às restrições visuais e auditivas que se agravaram e da dificuldade de locomoção, natural do avanço da idade, o médium deixou de participar, ativamente, dos trabalhos na Casa de Scheilla.

Notas:

- Por sua natureza, o médium deseja permanecer anônimo e fora do alcance da curiosidade natural das pessoas.

- Os fenômenos mediúnicos que levaram o médium Esse Capelli a bater às portas do Centro Espírita estão, em parte, narrados no trabalho inédito "O MENINO DA PRAIA E OS DONOS DO MUNDO", que se encontra no prelo, com lançamento previsto para o mês de maio de 2017.